O Pastor de
Umbanda!
Por José Álvares Pessoa
Extraído de
"Noções Elementares de Umbanda"
(Editado pelo
CONDU - Conselho Nacional Deliberativo de Umbanda, pág. 33, 1980)
Homenagem prestada
ao Caboclo das Sete Encruzilhadas em cerimônia realizada na Tenda São Jerônimo, rua
Visconde de Itaboraí, 8 - Rio de Janeiro,em 30 de setembro de 1942.
" Bem-aventurados os
que têm fé, porque esses verão a Deus. São palavras de Jesus num dos seus maravilhosos
sermões aos fiéis que o acompanhavam.
A fé é uma das virtudes
fundamentais de todas as religiões. Sublime por excelência, sem ela nada se poderá
realizar no terreno espiritual e é por seu intermédio, dependendo da sua maior ou menor
intensidade, que as almas se habilitam a levar avante a missão de que se incumbiram.
A fé remove montanhas, cura as
enfermidades do corpo e da alma, transforma os criminosos em cordeiros, faz o milagre do
ladrão subir aos céus com Jesus Cristo.
Foi a fé que levou uma grande
alma a realizar em nossa terra uma formidável obra de reforma religiosa, com a
implantação, em nosso meio, da Umbanda.E esta realização é tanto maior quando todos
nós sabemos que, no Brasil de uns quarenta anos passados,era quase um crime pensar-se em
fazer modificações de ordem espiritual.
A realização da tarefa, por
isso mesmo espinhosíssima, que sobre os seus ombros tomou o CABOCLO DAS SETE
ENCRUZILHADAS, de organizar a Umbanda no Brasil, é um verdadeiro milagre de fé que nos
leva a um sentimento de grande amor e de profundo respeito por essa entidade, que se faz
pequenina e que procura velar-se sob a capa de uma humildade perfeita.
É a ele - ao Caboclo das Sete
Encruzilhadas - , o Pastor de Umbanda, que se deve a purificação dos trabalhos nos
terreiros; é a ele que espiritualmente está entregue a direção de todos as Tendas de
Umbanda no Brasil.
O CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS
é o verdadeiro Guia de Umbanda, aquele com que todos os outros Guias, lá no alto,
combinam para realizar a maravilhosa obra da implantação da Umbanda, como religião
tipicamente brasileira. Foi ele quem assumiu o compromisso de expurgar a religião do rito
essencialmente africanista que se vinha praticando desde as primeiras levas de escravos
trazidos pelos portugueses. Foi ele quem, provocando uma guerra mortal com os espíritos
das travas, diretamente interessados com a implantação dos trabalhos de magia negra,
não vacilou em seguir o programa traçado e arrebanhado as suas ovelhas - verdadeiro
Pastor de Umbanda - vai continuando a sua obra de propagação com a constante criação
de Tendas que, filiadas ou não à tenda de Nª. Sª. da Piedade, são realmente suas,
pois estão debaixo de sua orientação espiritual.
Que todos os adeptos de Umbanda
não se esqueçam dessa verdade: o Caboclo das Sete Encruzilhadas é o legítimo Senhor de
Umbanda no Brasil, pois percebeu a missão de organizá-la. O que afirmo não tem outro
sentido a não ser que foi ele realmente o comissionado para esse fim; não veio inovar,
veio apenas purificar o que já se fazia no país algumas centenas de anos.
Ele não destruiu o ritual; antes
deu-lhe força e método e o propagou com a sua organização maravilhosa. Verdadeiro
Mestre da Magia Branca, responsável pela pureza do ritual, ele não poderia abandoná-lo,
porque o considera sagrado; ao contrário, ele nos ensinou a amá-lo e a respeitá-lo ,
porque não há religião sem ritual. O que ele deseja, entretanto, é este ritual de
Umbanda, humilde mas cheio de luz, seja nivelado ao das grandes religiões e isento de
toda inferioridade, da prática de atos inúteis e perniciosos. O que deseja é que este
ritual seja praticado apenas por Guias autorizados, porque não são todos os espíritos
que baixam nos Terreiros que se acham à altura de praticá-lo.
Estas minhas declarações são
tanto mais insuspeitas quanto todos sabem o amor que eu e todos os que fazem parte desta
Casa de São Jerônimo temos ao Caboclo da Lua, que é por nós considerado uma entidade
de grande poder e elevada espiritualidade. Todavia, por muito grande que seja, não
hesitou em trabalhar sob a chefia do Caboclo das Sete Encruzilhadas e foi este que
organizou e lhe entregou a Tenda São Jerônimo - a Casa de Xangô que espero será
sempre um dos esteios de sua obra.
Há cinco anos, mais ou
menos, previmos que Umbanda seria futura religião do Brasil. Então, Umbanda era
perseguida e considerada no nível de magia negra. Hoje, começamos a ver a alvorada da
Umbanda, porque são as próprias autoridades que nos convocam para uma confissão
pública de Umbanda como credo religioso, permitindo que, com essa designação, os
Templos de Umbanda sejam assim registrados. É nossa vitória, ou antes , a grande
vitória do Caboclo das Sete Encruzilhadas.
O que todos nós devemos a essa
grande Entidade é de valor inestimável; jamais poderemos esquecer os benefícios
espalhados às mancheias por ele e pelos espíritos que acorreram ao seu chamado para
ajudá-lo no cumprimento de sua missão.
Esse espírito de eleição, cuja
a fé é um incentivo para os nossos espíritos entibiados, cheios de irresoluções,
fracos no cumprimento do dever, rebeldes, se não vemos as coisas marcharem ao saber dos
nossos desejos este espírito de luz, cuja a fé o levou a não ver os espinhos que
o feriam ao longo da penosa jornada que teria de percorrer durante tão duros anos, bem
merece ser enaltecido por todos os que se sente felizes no ambiente humilde da Umbanda e
nem de leve suspeitam de seu verdadeiro valor, da sua singular grandiosidade. E muitos
ainda o confundem com o Exú das Sete Encruzilhadas, que é apenas um dos seus humildes
trabalhadores.
As injustiças, as ingratidões
que lhe têm sido feitas, nessa luta de há quase 40 anos, jamais contribuíram para um
desfalecimento de sua parte, em levar avante a sua missão. Assim como a tremenda campanha
feita contra Jesus por aqueles que desejavam o aniquilamento de sua obra e o
desaparecimento de sua doutrina, só contribuiu para que ela, com mais rapidez e
segurança, se propagasse pelo mundo inteiro, assim também toda a campanha urdida contra
a obra do Caboclo das Sete Encruzilhadas só tem contribuído é cada vez mais
contribuirá para o seu engrandecimento.
Foi a fé que o ajudou a realizar
esta obra, que um dia será gigantesca e se espalhará também pelos confins do mundo; é
pela fé que ele pretende nos levar aos pés do doce Nazareno, de quem é um humilde
devoto.
Verdadeiro Pastor de Umbanda, o
CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, vela constantemente pela suas ovelhas e sereno, como só
os grandes podem ser, ele sorri confiante na vitória de sua obra, porque sabe que a fé,
que é seu alicerce, a sustentará pelos séculos a fora ". |