Ser médium é um
privilégio que tráz responsabilidade!
Por Fátima Damas(*)
O médium necessita dar boa condição à incorporação do seu Guia através da sua
formação moral, de bons pensamentos e boas atitudes. A vida nos dá oportunidades
diariamente para revelarmos essas condições: com os amigos, com os vizinhos, com os
familiares e até com os inimigos, pois precisamos contar até dez antes de respondermos
à uma ofensa.
Normalmente dizemos: Eu não aturo
desaforos, quando deveria ser dado ao desafeto, uma palavra boa, um bom pensamento, isso
quase ninguém faz. Até os animais sentem a energia de um pensamento positivo, pois só o
amor é capaz de abrandar as feras.
Se não houver no médium esse
sentido de amor universal, nunca será um bom médium. Poderá ser pontual no trabalho,
mas é duvidoso dizer que o espírito que dele se aproxima seja um espírito de luz, pois
poderá ser um espírito terra-a-terra igual a ele.
Umbanda não é só o trabalho de
Terreiro e existe muita coisa que se faz e que só pode ser ensinado aos médiuns que já
estejam preparados e em condições para receber, do contrário seria o mesmo que colocar
uma arma nas mãos de quem não sabe manejá-la.
Uma Entidade não pode transferir
seus conhecimentos sem que haja muita segurança. O grande obstáculo à aquisição dessa
segurança é a vaidade. Grande parcela de médiuns quer ser os tais, procurando terreiros
onde eles possam aparecer; isso é muito perigoso. O médium precisa ser amparado,
orientado e lapidado.Mas como se pode preparar totalmente um médium se o mesmo não tem
condições morais para tal? Como se pode dar conhecimentos mágicos a um médium que tem
ódio no coração, que não conhece o perdão, que não sabe amar?
Todos têm o direito de não
concordarem com determinados fatos que ocorrem dentro do terreiro; é permitido discordar
do próprio Guia Chefe (desde que tenham razão). Na parte material, os médiuns têm o
direito e dever de expor os problemas, de dizer honestamente aquilo que não estão
gostando, que não está certo. Pois isso é uma crítica honesta, leal e construtiva. Mas
a crítica que se faz nos bastidores, têm o sentido de destruir. Muito mais honesto é
falar de frente do que criticar negativamente, às ocultas.Quanto à parte espiritual,
não se pode aceitar que os médiuns venham a se destruir, que um ache que o outro é
negativo, que é fraco. Isso é amor? Isso é fraternidade?
Se quiserem vencer dentro de um
grupo mediúnico é através da união, da fraternidade e do amor.
E mais:
- O médium deve zelar pelo seu
procedimento moral e também pela higiene do seu corpo que seu Guia irá utilizar.
- Há banhos que os médiuns em
desenvolvimento necessitam tomar. São forças que são atraídas para fortalecer a
mediunidade. É a parte externa. A parte interna é a formação do sentimento, do
caráter.
- Há necessidade de se atrair as
forças da natureza através dos Orixás. Mas é difícil fazer isso isoladamente se o
médium não tiver a consciência desperta para a vida espiritual.
- É preferível que os trabalhos
junto à natureza sejam feitos em grupo comandados por quem tenha condições para tal.
- Não adianta fazer feitiço sem
ser feiticeiro. Feiticeiro é quem sabe usar a força mental. Refiro-me ao mago branco e a
magia das forças positivas da natureza. A outra magia que existe, não vale a pena
aprender.
- Não é correndo de um terreiro
para outro que o médium aumenta sua espiritualidade. É o sentimento de dever cumprido do
médium para consigo mesmo e para com o seu Guia. Dê o contingente de valor ao seu Guia,
procure elevar-se cada vez mais para que ele possa utilizá-lo como aparelho, para o bem
do seu próximo!
- O médium consciente ouve e
percebe que o que vai falar não é seu, que há uma inspiração dentro dele, uma força
que o dirige. Ele é apenas um veículo dessa força. Ele se engrandece pela honestidade
dos seus propósitos.
(*) Fátima Damas é Diretora Executiva da CEUB - Congregação Espírita Umbandista do
Brasil, que tem a sua sede no Rio de Janeiro. |