
Carta aberta à
Comunidade Umbandista
Prezados Irmãos de Fé e na Fé,
salve!
O jornal O Globo "brindou" os leitores da edição do primeiro dia de 2005, logo
após a internacional festa de Reveillon de Copacabana cuja origem remonta o
início da década de 60 como uma festa para homenagear Yemanjá , com a matéria
"Umbanda e candomblé estão encolhendo no país".
A matéria, assinada pelos
repórteres Chico Otávio e Toni Marques, aponta como uma das causas do
"encolhimento" das religiões conhecidas como afro-brasileiras a expansão das
seitas "neopentecostais", que impõem como meta a se cumprir pelos
pastores-executivos, fechar o maior número de terreiros existentes na área em que se
instala um novo templo.
E se não bastasse os
"antipatizantes" da Umbanda, a matéria aponta outras causas para a redução do
número de adeptos de nossa religião: a falta de organização e a desunião dos
dirigentes de culto. "As federações e Umbanda e Candomblé, que supostamente
uniriam os terreiros, não funcionam, pois não há autoridade acima do pai ou
mãe-de-santo. Além disso, os terreiros competem entre si, e os laços de solidariedade
entre os diferentes grupos são frágeis e circunstanciais".
Os católicos e evangélicos
estudam e citam a bíblia com freqüência, os muçulmanos conhecem o antes e o depois de
Maomé, o budista estuda a vida de Sindartha. E nós? A grande maioria limita-se a ser
Umbandistas três horas por semana durante a gira, achando-se assim detentores de todo o
conhecimento. A maioria sai do terreiro e deixa a Umbanda lá, em "stand by",
até a próxima gira. Se interpelados, a explicações sobre a Umbanda, sobre seu
contexto, dificilmente conseguirá ir além de um "risco no verniz".
Nós, da Umbanda do Cruzeiro do Sul
e templos filiados, estamos empenhando em fazer circular as informações acima e propor
um momento de reflexão sobre o conteúdo ideológico das mesmas ao maior número de
pessoas possível. Assim, julgamos que se faz necessário deixar de lado vaidades,
orgulhos e interesses pessoais e focarmos nossos esforços ao desenvolvimento do Movimento
Umbandista.
Já é hora de deixarmos de lado
questões menores como, por exemplo, discussões sobre Umbanda "branca", Umbanda
"pura", Umbanda "africanizada", Umbanda "ocidentalizada",
Umbanda "orientalizada", Umbanda "cósmica", Umbanda "de
mesa", Umbanda "evangélica", Umbanda "esotérica" ou
"exotérica" ou se "embranqueceram" a Umbanda. Portanto,
independentemente de nomenclaturas, símbolos, referências arquétipas, espaços,
instalações, cores, o mais importante é a visão macro da religião, é o que a
norteia, é, enfim, a missão que desenvolve. Como cada um interpreta, entende ou pratica
a Umbanda, é uma questão de foro íntimo e diz respeito somente ao microcosmo de cada
terreiro ou mesmo ao próprio indivíduo. Não importa se acreditamos que tal Entidade é
de uma falange ou Vibração Ancestral e não de outra. O que importa é que tal Entidade
Espiritual está desenvolvendo e praticando a sua Missão.
Não podemos continuar olhando para
o umbigo como se fosse o centro do Universo. Não podemos continuar acreditando que
somente em nosso terreiro se manifestam os verdadeiros mensageiros d'Aruanda e que
"nossos" guias são mais fortes do que o do vizinho. Não é esse o ensinamento
que "Crianças", "Caboclos", "Pais-Velhos" e
"Exús" trazem. Até quando nos manteremos surdos aos ensinamentos dos Guias que
se dignam em "baixar" em nossas carcaças?
Assim, nos colocamos abertos para
participar de toda e qualquer ação que venha promover a união do Movimento Umbandista.
Bem como, colocamos à disposição o site que mantemos há dez anos (www.nativa.etc.br)
para a divulgação dessas mesmas ações.
Com votos de Paz na mente, Amor
nos sentimentos e Harmonia na ações.
Fraternalmente

Umbanda do Cruzeiro do Sul
Iniciados e Aprendizes
TEMPLOS FILIADOS
Cabana de Pai Antônio (Rio de Janeiro - RJ)
Cabana de Pai Pescador das Almas (Campo Grande - RJ)
Cabana de Pai Ogum Yara (Novo Hamburgo - RS)
Cabana de Pai Tomé (Belo Horizonte - MG)
Cabana de Pai Jeremias d'Angola (Juiz de Fora - MG)
Centro Espírita de Umbanda Obreiros de Oxalá (Barbacena - MG)
Cabana de Pai Joaquim (Curitiba - PR)
Cabana de Pai Arruda (Cochabamba - BO)
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