A Umbanda na visão de um eterno aprendiz
 


 

Estamparia artesanal

Marcio Bamberg Heahunter


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Um momento para reflexão

Um só Deus...

Assim deve haver sido desde o começo...

Sempre que Deus se apresentou aos homens - de qualquer uma das tantas formas em que se apresenta - este deve sentir-se não somente maravilhado e temeroso, mas também que este privilegio era só para ele. E também como dos primórdios dos tempos no lugar de projetar sua visão de Deus para todos os demais pelo simples e humilde caminho da fé compartida, o fez suo, transformou-o em "seu Deus" e combateu aos que tinham a mesma certeza, mais desde outro ponto de vista, pela via violenta e muitas vezes chegando até a morte. 

Sempre ha sido assim , e essa é a forma em que está organizada a nossa "sociedade civilizada", na base de que só um têm a razão (de preferência eu!). Es assim em tudo, sempre há alguém que se diz possuidor da verdade, e os que não coincidem com essa verdade estão equivocados, sem contemplar sequer a possibilidade de uma afinidade ou de uma aproximação; "se não estão com a gente estão contra a gente", negando-se "a priori" a possibilidade de um diálogo. 

Cada um olha desde sua "privilegiada" posição qual é o verdadeiro caminho que deverá ser transitado para chegar a Deus, e quem esteja no meio desse caminho têm que ser eliminado, pois não pode ser considerado filho de Deus. 

Não merece o mais mínimo raciocínio pensar em algo tão simples como que "de existir um Deus deve ser tão só um e para todos. Ou não será que meu Deus é o mesmo que o de fulano, só que ele O enxerga de outra maneira?" 

Este é um dos pontos básicos em que o problema se apresenta, o do orgulho, ter a verdade nas mãos, ser o dono da verdade, o iluminado a quem não é possível contestar. Orgulho que não lhe permite reconhecer que se tem um privilegio, este é tão só o de ser o dono de uma pequena parte da verdade, e que deve humildemente compartilhar-lha com os demais e assim ajudar os que precisem sentir-se mais perto de Deus. 

Vivemos hoje mais do que nunca os tempos do "melhor", e não do "bom". 

Todo é competição: "fulano é melhor que ciclano. Sem não e feito dessa maneira não serve." Existe um "ranking" para todo, e o caminho para se chegar a qualquer parte é sempre o mesmo, o de vencer, sem importar de que maneira o a que custo. 

Ë hora de reconhecer de uma vez por todas que Deus é um só: não o meu ou o de outro, e sim o Único, o de todos e que fala a cada um de nos da forma em que cada um pode entender, que ninguém é melhor que o outro e que existem muitos caminhos para chegar a Ele. 

Por isso é fundamental encontrar "o caminho" que esteja mais afinizado com a nossa personalidade e onde sintamos sem dúvidas a presença de Deus. 

No meu caso particular, despojado do orgulho de pretender ser o dono da verdade, tento praticar a caridade com simplicidade, humildade e alegria procurando constantemente os ensinamentos que, através das entidades e mediante um processo dinâmico, enriquecem constantemente nossa querida Umbanda. A simplicidade, a vontade e a força moral das entidades de luz que se travestem de Caboclos para ajudar a todos os que estão precisando do seu auxilio para continuar na vida.. A humildade, a sabedoria e o conselho dos Pais Velhos para mitigar sofrimentos, encontrar caminhos e assim prosseguir na luta. A alegria, a magia e o poder de cura de todas entidades altamente desenvolvidas que como Crianças chegam ao terreiro para ajudar a quem precisa dos seus conhecimentos. E através de todos praticar o amor da caridade e assim ajudar ao próximo e dessa forma auto-ajudar-se na caminhada para encontrar a Deus. 

Para quem como eu passou da utopia de querer ajudar a mudar o mundo através da razão e pela força, a de um objetivo muito mais humilde, o de tratar de ajudar com a razão e com o sentimento a quem se aproxima para ser ajudado, me despoja do orgulho de querer fazer coisas "importantes", para ter a alegria de fazer coisas "simples" que também me ajudem a transitar meu próprio caminho. 

Os princípios universais da humildade e caridade estão para mim refletidos na Umbanda que pratico, despojada de ritos estranhos, de orgulho messiânico, de seres iluminados ou do baixo mundo astral. Em essa Umbanda não ha lugar para o mal, e sim para o bem que todas as entidades de luz nos fazem chegar através dos médiuns que trabalham no terreiro. 

E por isso que eu creio na existência de um só Deus que está omnipresente em todas as partes do mundo, em muitas religiões, e que eu reconheço na minha Umbanda, a simples mais eterna "Aumbhandan" dos Orixás, Pais Velhos, Caboclos, Crianças e Exús, que procuramos para praticar com humildade, a caridade que sem nenhuma dúvida salvará a todos nós. 

ERÊPANLEBAH

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