
A palavra mágica
Na nossa vida nos relacionamos através do emocional, o mental, o
físico, o material.
Se em nosso relacionamento afetivo vai tudo bem, em plenitude,
sentimo-nos felizes; a mesma coisa para com as nossas relações sexuais que resultando
satisfatórias nos fazem gozar. Quando nossas idéias são bem recebidas o nosso trabalho
é reconhecido, sentimos o prazer que a aceitação dos demais nos dá; e se o retorno de
tudo isso é dinheiro
sem dúvida a felicidade é completa.
Na verdade é que se todas ou algumas dessas situações não se
dão, o nosso sofrimento é comparável a nossa decepção por não alcançar o sucesso
que esperávamos.
A vida de relação está regida pelo princípio do Prazer. Freud
já explicou-o, vivemos entre opostos: prazer-desprazer; gozo-sofrimento.
Se as coisas vão bem, ficamos contentes; caso contrário,
sofremos. O sofrimento é uma realidade com a qual devemos conviver permanentemente.
O sofrimento se manifesta aqui e agora, é hoje, não ontem nem
amanhã. Sofremos porque não somos reconhecidos, porque não nos querem, porque não
fazemos as coisas que os demais esperam, porque não fazemos bons negócios, porque
fracassamos ao avaliar os riscos, no fim
por uma infinidade de aspectos, mais se
analisarmos bem, quase nunca ( na nossa mente jamais!) por nossa absoluta culpa.
A verdade é que ademais dos nossos próprios erros, o fracasso e
por lógica nossos sofrimentos, nos é alheio. Não temos o controle de nossos
sofrimentos, não somos donos de nossos sofrimentos.
Sofremos em tempo e espaço por causas concretas que não sempre
alcançamos a descobrir, mas que nos provocam muita tristeza.
Mas o sofrimento ademais de natural é muito importante para
nossa evolução; o sofrimento ensina, apaga nosso excesso de orgulho, nos redime, nos
permite evoluir.
O sofrimento pode ser kármico, ou seja que sofremos por coisas
que passaram sem que saibamos conscientemente quando nem por que, ou que aconteceram em
outras vidas
o pior sofrimento, aquele que não podemos impingir a ninguém.
Para a grande maioria o sofrimento se projeta em revolta e a
revolta em ódio. E aí morre o sofrimento e nasce a infelicidade, que não é nada mais
nem nada menos que o sofrimento permanente, um sofrimento que se projeta em tempo e
espaço, que nos acompanha por muito tempo, e em alguns casos, os mais graves, para o
resto desta vida.
A infelicidade é então a prolongação de um sofrimento, e não
algo que está fora de nós mesmos quanto o sofrimento: está bem dentro de nós, na nossa
mente e somos absolutamente donos de nossa infelicidade, e se somos donos dela não há
nada que nos impeça arrojá-la fora de nós.
Para terminar com nossa infelicidade existe uma palavra mágica e
esta palavra é PERDÃO.
Perdoar é acabar com o ódio, com nossa revolta, é deixar de
ser infeliz.
Mas perdoar não é tão fácil como parece, o perdão deve vir
de dentro, do fundo da alma e não se trata de perdoar e passar a outra coisa, não é
perdoar da boca para fora, é perdoar tantas vezes quanto nos seja possível até que o
ódio de antes seja substituído por um sentimento de paz. E é nesse momento que
haveremos perdoado de verdade.
E também e muito importante é pedir perdão por aquelas coisas
em que lembramos de ter feito mal aos outros, tanto e tanto até sentir que fomos
perdoados.
E talvez o mais importante de tudo: auto-perdoarmos, que é tanto
mais difícil na medida em que nosso ódio a nós mesmos está na sua maior parte no nosso
próprio inconsciente e portanto quase sempre não temos acesso a ele.
Se não temos a verdadeira medida do que significa perdoar, como
entender Aquele que nos visitou faz dois mil anos e ofereceu quando agredido, a outra
face, ou que no meio de horríveis sofrimentos físicos e emocionais pôde dizer:
"Perdoa-os Senhor, pois não sabem o que fazem".
A mim, pessoalmente, chegar a compreender de verdade tudo isto me
levou quase toda esta vida.
Perdoar, ademais de permitir-nos ser mais felizes, de praticar a
caridade, é também um profundo exercício da vontade que deve ser trabalhado
intensamente até alcançar este objetivo.
ERÊPANLEBAH
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