A Umbanda na visão de um eterno aprendiz
 


 

Estamparia artesanal

Marcio Bamberg Heahunter


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Um momento para reflexão

A palavra mágica

Na nossa vida nos relacionamos através do emocional, o mental, o físico, o material.

Se em nosso relacionamento afetivo vai tudo bem, em plenitude, sentimo-nos felizes; a mesma coisa para com as nossas relações sexuais que resultando satisfatórias nos fazem gozar. Quando nossas idéias são bem recebidas o nosso trabalho é reconhecido, sentimos o prazer que a aceitação dos demais nos dá; e se o retorno de tudo isso é dinheiro… sem dúvida a felicidade é completa. 

Na verdade é que se todas ou algumas dessas situações não se dão, o nosso sofrimento é comparável a nossa decepção por não alcançar o sucesso que esperávamos. 

A vida de relação está regida pelo princípio do Prazer. Freud já explicou-o, vivemos entre opostos: prazer-desprazer; gozo-sofrimento. 

Se as coisas vão bem, ficamos contentes; caso contrário, sofremos. O sofrimento é uma realidade com a qual devemos conviver permanentemente. 

O sofrimento se manifesta aqui e agora, é hoje, não ontem nem amanhã. Sofremos porque não somos reconhecidos, porque não nos querem, porque não fazemos as coisas que os demais esperam, porque não fazemos bons negócios, porque fracassamos ao avaliar os riscos, no fim… por uma infinidade de aspectos, mais se analisarmos bem, quase nunca ( na nossa mente jamais!) por nossa absoluta culpa. 

A verdade é que ademais dos nossos próprios erros, o fracasso e por lógica nossos sofrimentos, nos é alheio. Não temos o controle de nossos sofrimentos, não somos donos de nossos sofrimentos. 

Sofremos em tempo e espaço por causas concretas que não sempre alcançamos a descobrir, mas que nos provocam muita tristeza. 

Mas o sofrimento ademais de natural é muito importante para nossa evolução; o sofrimento ensina, apaga nosso excesso de orgulho, nos redime, nos permite evoluir. 

O sofrimento pode ser kármico, ou seja que sofremos por coisas que passaram sem que saibamos conscientemente quando nem por que, ou que aconteceram em outras vidas… o pior sofrimento, aquele que não podemos impingir a ninguém. 

Para a grande maioria o sofrimento se projeta em revolta e a revolta em ódio. E aí morre o sofrimento e nasce a infelicidade, que não é nada mais nem nada menos que o sofrimento permanente, um sofrimento que se projeta em tempo e espaço, que nos acompanha por muito tempo, e em alguns casos, os mais graves, para o resto desta vida.

A infelicidade é então a prolongação de um sofrimento, e não algo que está fora de nós mesmos quanto o sofrimento: está bem dentro de nós, na nossa mente e somos absolutamente donos de nossa infelicidade, e se somos donos dela não há nada que nos impeça arrojá-la fora de nós. 

Para terminar com nossa infelicidade existe uma palavra mágica e esta palavra é PERDÃO. 

Perdoar é acabar com o ódio, com nossa revolta, é deixar de ser infeliz. 

Mas perdoar não é tão fácil como parece, o perdão deve vir de dentro, do fundo da alma e não se trata de perdoar e passar a outra coisa, não é perdoar da boca para fora, é perdoar tantas vezes quanto nos seja possível até que o ódio de antes seja substituído por um sentimento de paz. E é nesse momento que haveremos perdoado de verdade. 

E também e muito importante é pedir perdão por aquelas coisas em que lembramos de ter feito mal aos outros, tanto e tanto até sentir que fomos perdoados. 

E talvez o mais importante de tudo: auto-perdoarmos, que é tanto mais difícil na medida em que nosso ódio a nós mesmos está na sua maior parte no nosso próprio inconsciente e portanto quase sempre não temos acesso a ele. 

Se não temos a verdadeira medida do que significa perdoar, como entender Aquele que nos visitou faz dois mil anos e ofereceu quando agredido, a outra face, ou que no meio de horríveis sofrimentos físicos e emocionais pôde dizer: "Perdoa-os Senhor, pois não sabem o que fazem". 

A mim, pessoalmente, chegar a compreender de verdade tudo isto me levou quase toda esta vida. 

Perdoar, ademais de permitir-nos ser mais felizes, de praticar a caridade, é também um profundo exercício da vontade que deve ser trabalhado intensamente até alcançar este objetivo.

ERÊPANLEBAH

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