
Medo de altura
Era difícil crer naquele homem
sentado à minha frente. Aparentando cerca de quarenta e cinco anos de idade, bem vestido,
um executivo. Contava-me seu pavor de altura. Não subira em árvores quando criança,
pois, era da época que brincava-se também dessa forma.
Precisava vencer essa barreira.
Profissionalmente, viajava pelo país afora, mas sempre, sempre, bebia uns goles antes de
embarcar no avião. Suportava mais facilmente. Procurava dormir até o destino.
Algumas regressões à frente,
vemo-nos numa situação de fuga. Montado num cavalo e a galope intenso. Corria em
disparada. Fugia de uma emboscada, pois, por profissão, era assaltante de estrada.
Pertencia a uma quadrilha. Foram enganados. Na fuga, o bando dispersou-se e ele fugira em
forte galope. Seus perseguidores vinham em grande número e faziam grande estardalhaço.
Temia ser alcançado, pois, se isso acontecesse, era morte certa. Corria. Corria
desesperadamente. Questão de vida ou morte.
De repente, viu-se caindo no ar.
Não percebera, devido à escuridão, que caíra num penhasco. Ele e seu cavalo estavam
caindo chão abaixo. Numa queda livre interminável, desciam rapidamente para a morte.
Subitamente, sentiu outra
sensação. Nova, agradável. Estava a flutuar naquela cena toda. Não mais caia, mas,
apenas, flutuava. Sentia-se leve, a sensação de pânico e receio que algo de mal
acontecesse, desapareceu-lhe, como por encanto.
A Sabedoria Divina, ceifou sua vida,
antes do acidente físico experimentado pelo seu corpo ao estatelar-se no chão pedregoso.
Transpirando demais, completamente
suado e assustado, aquele homem entendera o por que do medo de altura desses anos todos.
Agora entendia a razão daqueles momentos terríveis vivenciados a bordo das aeronaves que
viajara. Entendia, também, os benefícios que a tvp terapia de vidas passadas lhe
proporcionara na atual existência.
Eduardo
Melo VALENTE
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