
O papel da dor no Processo Evolutivo
Reencarnar quase sempre é um choque para muitos espíritos.
Assemelha-se ao medo da morte no mundo físico. A oportunidade de retornar à vida no
mundo terra é um momento de tensão para o reencarnante, todos os tormentos das últimas
passagens pelo planeta voltam ruidosamente à lembrança. A dor, que advém nesse momento
importante da jornada, traz no seu bojo amarguras, ódios, tristezas e frustrações. Mas
essa dor é, na verdade, o resultado da luta entre a ansiedade pelos antigos vícios e a
consciências dos compromissos a resgatar.
Nos ensina "O Guardião", na obra O Livro do
Silêncio, do médium William de Oliveira, que a dor se faz companheira para a
consciência não sofrer pela inércia. "Atente bem para estes seres bestiais que
atormentam pela forma e pela atitude. Atente: são seus irmãos mais queridos, aqueles que
em viagem se perderam e se feriram em loucas guerras" (p. 6). O mérito estará em
superar a dor e encontrar a eterna luz que ainda pulsa nos corações dos supostos
decaídos. "Vá além da fria e gélida muralha a que ele se impôs julgando a si
próprio e o resgata dos abismos"(ibid), recomenda o mestre ao discípulo.
Da mesma forma que nenhuma pena será eterna, também não
estaremos só na caminhada evolutiva. Ao reencarnar somos abençoados pelos Senhores da
Manifestação (Elebara, Olori, Eleda e Elemi), principalmente, pelos atributos de um
Orixá Ancestral que comandará nossa atual encarnação (Olori). Esse atributo é que
devemos procurar entender para podermos deixá-lo ativo em nossa jornada. Se, por
desventura, viermos a ignorá-lo, o atributo permanecerá latente no aspecto passivo,
promovendo um caminhar mais lento e difícil rumo a evolução espiritual.
Nossa trajetória no planeta, portanto, precisa de um objetivo -
norteado pelo aspecto ativo do atributo do Orixá Ancestral - que funcione como alavanca
para a evolução motivada por ações produtivas. Livrar-se da dor significa livrar-se da
vontade do espírito embrutecido querer ser único em relação aos demais. Esse apego
será a origem do egoísmo, da vaidade e do orgulho, que juntos se transformarão em
outros apegos.
A dor, assim, não é uma realidade. No mundo da forma, a dor é
apenas mais uma ilusão que nos lembra da, igualmente ilusória, matéria a qual estamos
presos. Para permitir o desapego à matéria é que a dor acontece, para não darmos
excessivo valor ao que nunca existiu. Talvez a verdadeira dor seja a procura da verdadeira
identidade espiritual, uma lembrança perdida na nascente dos tempos.
ARASHÁKAMA
Discípulo do Mestre Thashamara
(*) Texto produzido a partir das discussões no
curso "A Umbanda e o Homem",
promovidas pela Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino.
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