A Umbanda na visão de um eterno aprendiz
 


 

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Marcio Bamberg Heahunter


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Um momento para reflexão

O papel da dor no Processo Evolutivo

Reencarnar quase sempre é um choque para muitos espíritos. Assemelha-se ao medo da morte no mundo físico. A oportunidade de retornar à vida no mundo terra é um momento de tensão para o reencarnante, todos os tormentos das últimas passagens pelo planeta voltam ruidosamente à lembrança. A dor, que advém nesse momento importante da jornada, traz no seu bojo amarguras, ódios, tristezas e frustrações. Mas essa dor é, na verdade, o resultado da luta entre a ansiedade pelos antigos vícios e a consciências dos compromissos a resgatar.

Nos ensina "O Guardião", na obra O Livro do Silêncio, do médium William de Oliveira, que a dor se faz companheira para a consciência não sofrer pela inércia. "Atente bem para estes seres bestiais que atormentam pela forma e pela atitude. Atente: são seus irmãos mais queridos, aqueles que em viagem se perderam e se feriram em loucas guerras" (p. 6). O mérito estará em superar a dor e encontrar a eterna luz que ainda pulsa nos corações dos supostos decaídos. "Vá além da fria e gélida muralha a que ele se impôs julgando a si próprio e o resgata dos abismos"(ibid), recomenda o mestre ao discípulo.

Da mesma forma que nenhuma pena será eterna, também não estaremos só na caminhada evolutiva. Ao reencarnar somos abençoados pelos Senhores da Manifestação (Elebara, Olori, Eleda e Elemi), principalmente, pelos atributos de um Orixá Ancestral que comandará nossa atual encarnação (Olori). Esse atributo é que devemos procurar entender para podermos deixá-lo ativo em nossa jornada. Se, por desventura, viermos a ignorá-lo, o atributo permanecerá latente no aspecto passivo, promovendo um caminhar mais lento e difícil rumo a evolução espiritual.

Nossa trajetória no planeta, portanto, precisa de um objetivo - norteado pelo aspecto ativo do atributo do Orixá Ancestral - que funcione como alavanca para a evolução motivada por ações produtivas. Livrar-se da dor significa livrar-se da vontade do espírito embrutecido querer ser único em relação aos demais. Esse apego será a origem do egoísmo, da vaidade e do orgulho, que juntos se transformarão em outros apegos.

A dor, assim, não é uma realidade. No mundo da forma, a dor é apenas mais uma ilusão que nos lembra da, igualmente ilusória, matéria a qual estamos presos. Para permitir o desapego à matéria é que a dor acontece, para não darmos excessivo valor ao que nunca existiu. Talvez a verdadeira dor seja a procura da verdadeira identidade espiritual, uma lembrança perdida na nascente dos tempos.

ARASHÁKAMA
Discípulo do Mestre Thashamara

(*) Texto produzido a partir das discussões no curso "A Umbanda e o Homem",
promovidas pela Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino.

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