
Diferentes pensamentos afastam os
Umbandistas?
Com relação à
questão, creio que as religiões codificadas sempre tiveram e terão o "risco"
de divergências. Creio que a Umbanda, por não estar inserida neste contexto, permite o
seu entendimento em diversos níveis e formas. A formação étnica de nosso país,
graças ao bom Deus, não está separando seguidores através da diversificação ou mesmo
das novas linhas do pensamento humano, pelo contrário, está ampliando! Dentro do ponto
de vista etimológico da palavra "Umbanda", encontremos, talvez, a primeira
resposta. Creio no termo Umbanda derivado de Aumbhandan. Buscando a sua composição Aum +
Bhan + Dan, teremos: Aum, princípio; Bhan, conjunto; e, Dan, lei; assim, podemos dizer, o
"Conjunto das Leis de Deus".
Temos de considerar dois fatores:
1) a nossa origem física, como "raça" (Sobre a" raça", li, em um
livro (Ivan H. Costa) que está no prelo, sobre a "nova raça" que está em
formação no planeta, a brasileira". Deixo o termo "raça" entre
aspas, apenas como referencial sobre o que acontece de fato no nosso ambiente
geográfico.); e, 2) a nossa origem, como pensamento humano. Torna-se mais perceptível, a
cada dia que passa, apesar das atrocidades e insensatez do passado, a miscigenação do
povo brasileiro, a partir das suas origens ameríndias, arianas e africanas, somando os
orientais que aportaram no século XX, no Brasil.
Considerando este pequeno
"planeta" Brasil, as perspectivas de ampliação do conhecimento
"abstrato" tornaram-se vastas. Para os que percebem a Umbanda, sem apegos ou sem
bandeiras ou mesmo como movimento em si através da constante evolução, sentem-se mais a
vontade no contato com as diversas formas do pensamento, bem como as demais
manifestações filo-religiosas. Pois, na atualidade, percebe-se que a Umbanda não é
sincrética. Ela apenas está juntando as peças do grande mosaico que ficou fragmentado
através dos tempos. O que pode parecer fragmentação para alguns (a forma de ser seguida
ou expressada), na realidade é a perspectiva de se utilizar os recursos abstratos
(astrais) e os recursos concretos ( físicos: tantras - expressão, yantras - símbolos,
mântras - verbo) praticados nos diversos cantos do planeta. Tenho um singelo exemplo
prático: Muitos já ouviram falar da Tenda Nossa Senhora da Piedade, talvez o mais
importante marco físico da Umbanda. Bem, recentemente visitei as suas instalações (que
não estão no endereço original). O grupo, que até hoje, segue a orientação dada pelo
Caboclo das Sete Encruzilhadas, através de Zélio de Morais, incorporou em uma atividade,
o uso de cristais. Ora, se ficasse no passado, talvez a prática estaria limitada apenas
na utilização e devoção a imagens de santos católicos, perdendo de vista a
possibilidade de agregar outras formas de manifestação e utilização de recursos.
Acredito que tenha uma visão pragmática sobre a Umbanda, buscando saciar a eterna
curiosidade. Talvez, por isto, sinto-me absolutamente a vontade em compreender uma Umbanda
praticada "eSotéricamente", quanto aquela que é praticada
"eXotéricamente. Assim, podemos perceber uma Umbanda ainda sincrética com o
catolicismo, uma Umbanda sincrética com os cultos bantús e yorubanos, uma umbanda
sincrética com a pajelança e catimbó, uma umbanda sincrética com o espiritismo, uma
umbanda sincrética com o budismo, entre outros sincretismo, além da Umbanda sincrética
com evangélicos (isto mesmo, Umbanda Evangélica!) Assim, estas diversas formas de
apresentação e aceitação, falarão melhor à alma de cada um. Talvez, seja por isto,
que as tentativas de codificação da Umbanda não ocorreram. Foram infrutíferas, porque
não há como "engessar" o Movimento Umbandista, criando paradigmas limitadores,
como ocorreu com as demais manifestações filo-religiosas, onde "Deus se expressa
por decretos" e não em sentimentos racionalizados ou razões sentimentalizadas.
Com votos de
profunda paz nos seus pensamentos, irradiante alegria nos seus sentimentos e harmonia nas
suas ações, com prosperidade, força e minha benção.

THASHAMARA
O ETERNO APRENDIZ |