
Sangue na Umbanda?
"Estava eu
pesquisando e lendo (já que não tenho um conhecimento aprofundado) um pouco mais sobre
umbanda quando me deparei com um site dizendo que o uso de sangue de animais em rituais é
absolutamente normal tendo em vista que o sangue vem da natureza... Sinceramente se essa
informação proceder estou profundamente decepcionada, bem pelo menos nas várias vezes
que fui a casas de umbanda até hoje nunca vi nenhum uso de sangue..."
Sacrifícios para "os
deuses" são de várias formas...
A utilização de elementos,
que contém "Axé", é percebido em todos os segmentos filo-religiosos que
rondam a magia, apesar de muitos de seus integrantes não se aperceberem de tal fato. Como
exemplo, podemos verificar na própria Umbanda, no Catolicismo, no Batismo, no
Evangelismo, no Hinduismo, no Espiritismo, no Candomblé, entre outras. Entretanto, cabe
considerar que o Axé, elemento vital, você pode encontrar nos reinos animal, vegetal e
mineral, e cada um com sua função e propriedades, para atividades/preceitos/magias
específicas.
No nosso caso, em função
de certo distanciamento no tempo de nossas origens, muitas informações foram dispersas e
alteradas. O tema talvez seja um dos mais controversos, pois este distanciamento no tempo
levou a uma deturpação sobre o uso de "sacrifícios" de animais, notadamente
na Raíz Africana.
De forma suscinta, pois o
tema é complexo, quando vejo ou ouço um "Exú" pedindo determinados elementos
animais, inclusive "in natura", causa-me arrepios, pois de forma simples, o
Padé de Exú é feito, basicamente, com farinha e água. As deturpações ocorreram e
aquilo que era feito no passado em África, mudou substancialmente de forma e finalidade,
nos tempos atuais, especialmente por aqueles que estão muito distantes da Tradição.
No passado, até trezentos e
quatrocentos anos, antes da forma abrupta de conquista colonização da África, pelos
europeus, nas tradições, que são também pilares da Umbanda na atualidade, os
aspectos envolvendo os sacrifícios tinham um objetivo muito claro: dar de comer aos
pobres; pois todo elemento que não era utilizado em eventuais preceitos: coração,
pulmões e fígado dos animais, era transformado em um repasto comunal ou seja era
dividido com aqueles que não tinham o que comer. Há de considerar também, que naquela
época não existiam açougues, assim, para o preparo dos alimentos havia a necessidade de
matar animais, cujo processo era realizado por especialistas, pois pelas Tradições da
época, a morte do animal tinha de ser honrosa e sem dor. Por outro lado, há de se levar
em conta que não era feito toda hora, pois a alimentação básica dos africanos era
vegetariana. O alimento de origem animal era cercada de prestígio, até certo ponto.
Quanto ao uso de axé
vermelho e outros do reino animal, especialmente os de sangue quente, por formação, não
fico confortável, pois utilizo o Axé de origem vegetal e mineral. Não sou contra e nem
a favor, mas, se na magia, tiver de optar pela troca de uma vida humana, salvando-a, com
certeza o galo vai para o cadafalso.
Com votos de
profunda paz nos seus pensamentos, irradiante alegria nos seus sentimentos e harmonia nas
suas ações, com prosperidade, força e minha benção.

THASHAMARA
O ETERNO APRENDIZ |