
Lei de Salva
A "Lei de Salva"
comentada e questionada, tem um porquê. Certa ou errada, existe. Entretanto, cada um
terá o discernimento em pagar ou receber.
O choque sempre estará entre
ela e a máxima "daí de graça o que de graça recebeste". Meu ponto de vista,
que necessariamente não é concordado com muitos, é até simplista. Se a caridade for
remunerada, não é caridade, pois o "se dar" não pressupõe uma recíproca
remuneração. Quando acorremos às Giras de Caridade, de atendimento espiritual coletivo,
onde os médiuns cumprem o seu dignificante papel de instrumento à Vontade Divina,
permitindo que Espíritos partilhem de seu corpo físico para se comunicarem com o nosso
plano certamente não há o porquê de se pedir algo em troca, pois quem está realizando
efetivamente o trabalho é a Entidade Espiritual e o médium, cumprindo o seu trabalho,
sua missão. Particularmente, sou radicalmente contra a cobrança de qualquer tipo de
contribuição relativo ao atendimento espiritual onde o exercício é realizado por outro
ser, que poderá ser Criança, Caboclo e Pai Velho, além de suas Serventias, os Exús.
Por sua vez, para
determinadas atividades, a Salva deve ser, no mínimo pensada. Vou contar uma historinha
(com "h", pois foi real), da qual fui um dos protagonistas.
"Há muitos anos, quando
penetrava nos Véus da Umbanda, fui procurado por um grupo de Umbandistas na cidade em que
residia para dar uma palestra para o grupo. Como batalhador pela elucidação, realizei a
palestra. Passadas duas semanas, fui procurado por parte dos integrantes daquele grupo,
que concluíram que não estavam praticando Umbanda e sim, algo confuso com diversos
caminhos. Após as ponderações, concluíram que o mais adequado era encerrar as
atividades. E, precisavam de uma ajuda para tal feito. Disse-lhes na oportunidade, que
nunca tinha tido aquela experiência e precisaria consultar o meu Mestre na oportunidade
para receber uma orientação adequada, que infelizmente foi por telefone. Este, foi
categórico: manda tirar tudo, enterra no mato e defuma bastante o pessoal, que estarei
orando por você aqui! Na seqüência, perguntei se deveria pedir alguma coisa ou
fazer algo extra, pois apesar não saber com profundidade, meus Mentores ficaram deveras
preocupados. "Não, faça apenas o que disse". Chamei o grupo de volta à
minha residência para concluir e agendar o feito. Dia tal, peguem "as coisas" e
vamos para a floresta. Vou pedir autorização ao órgão ambiental etc. Quando acabei de
falar, um dos integrantes do grupo perguntou-me quanto custaria, qual seria a Salva, pois
o grupo estava consciente da responsabilidade que fora depositada nas minhas costas. Com
aquele ar de que estava ciente da dimensão, parei por alguns instantes, com aquele ar
pensativo e disse de boca cheia: "uma vela de sete dias, sete charutos, sete caixas
de fósforos e um marafo". Quando acabei de falar, ficaram me olhando com aquela
expressão de que estavam aguardando o grande valor. Um deles perguntou: o que mais? Fui
lacônico, nada! Neste instante, comentaram que a cada trabalho com os médiuns da casa, o
mais barato tinha sido uma máquina de lavar roupas. Bem, eu só queria aquilo. No
mínimo, deviam estar pensando que eu era o cara, isso, aquele com o maior poder do mundo.
Na data aprazada, chegaram os dez carros abarrotados com "as coisas" e fomos à
floresta. Lá chegando, orientei que cavassem um buraco, quebrassem e enterrassem tudo.
Intuído, preparei uma oferenda na mata, com muitas flores e frutos, no sentido de
agradecer a permissão por lá deixar as "coisas". E não eram poucas...
Inclusive, a contragosto, alguns médiuns ficaram inconformados em enterrar o ouro e prata
que faziam parte das "coisas". Bom, terminado o trabalho, com sinais positivos
da natureza (só quem estava pode registrar o que aconteceu), fomos embora. Chegando em
casa com a Salva que pedi, assentei e... bom, os oito anos seguintes foram o terror e até
hoje me recupero... Mais tarde, quando fui ao encontro daquele que era o meu mestre na
ocasião, fui chorar as mágoas, pois eu estava "mais por baixo que sovaco de
cobra". A coisa estava pegando. Aí, ele me perguntou: "e aí, quanto você
pediu para fazer o serviço?" Ora, respondi eu, uma vela de sete dias, sete charutos,
sete caixas de fósforos e um marafo. Ele bradou... "Só isso, você tinha que pedir
X, pois o entrechoque vai ser muito violento". Pensei: É, né...
Em função desta triste
experiência, comecei a analisar a Lei de Salva e conclui, que pode e deve ser aplicada em
alguns casos. Como a Salva vai além de um mimo, na Umbanda esta questão veio mais
presente na Raiz Africana, quando Salva não é para remunerar o Espírito, óbvio, a
Salva existia e existe para remunerar um serviço, pois o realizador será
"cobrado" de várias formas por parte dos descontentes, deste e de outros
planos. Além do mais, para quem não sabe, na origem, o Babalawô era funcionário
público.
Numa atividade de caridade
espiritual, com ou sem consulta com às Entidades Espirituais, não acho correto a
cobrança e o pagamento de Salva, pois não existe o porquê. Agora, quando se exige do
indivíduo o esforço físico ou intelectual, e estes esforços poderão causar alguma
dificuldade ao executante, a Salva é devida. Neste site, existem dois exemplos claros: o
Perfil no Esoterismo de Umbanda, onde alguns reclamam de que deveria ser gratuito, mas
como vou justificar oito horas de trabalho? E, o próprio oráculo, onde peço apenas para
que sejam clicados os anunciantes, espeicalmente do google, para ajudar a manter este
projeto.
Com votos de
profunda paz nos seus pensamentos, irradiante alegria nos seus sentimentos e harmonia nas
suas ações, com prosperidade, força e minha benção.

THASHAMARA
O ETERNO APRENDIZ |