
O mediunismo
Desde o meu primeiro contato com a Umbanda, lá pelos idos de 1966, infelizmente conheci
apenas um médium inconsciente, na sua plenitude. Inclusive, quando me lembro daquela Gira
no singelo e fisicamente pequeno Terreiro do Sr. Caboclo Guiné em Jacarepaguá no Rio de
Janeiro, , trás-me a lembrança de um tempo em que, as vezes, a falta do conhecimento se
reflete mais na alegria do que na preocupação.
Conheço muitos Terreiros e muitos
médiuns... principalmente no Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. De vez em quando,
arrisco algumas visitas mais distantes. Nestas, encontro duas categorias de médiuns: os
que têm a consciência de sua semi-consciência (se preferir, semi-inconsciência); e,
aqueles que justamente, como se aborda, sentindo-se inseguros ou mesmo pela
responsabilidade de "ouvirem" coisas, consideram-se inconscientes, corroborando
a sua colocação, diria mesmo, médiuns com "falta de consciência"...
Não é demérito o médium ter
consciência de que está ali, pois ele está! O espírito da entidade "não
toma" o seu corpo, apenas interfere no processo mediúnico, com maior ou menor
intensidade em seus centros nervosos, através dos chacras. As vezes, os exemplos
observados, com aquelas situações, que chegam à beira da insanidade, resultado de
estado psicológico debilitado da pessoa que o promove, colocando para fora as suas
vontades e comportamentos reprimidos, assustam. Muitos médiuns que estão no início de
jornada, não compreendem o comportamento destas pessoas e se afastam...
Com relação ao mediunismo e ao
animismo, para evitar o "pai mim" ou o "caboclo eu mesmo", caberá
mais a formação moral do médium do que a própria atuação das entidades. O animismo,
por exemplo, é um estágio importante para a formação de médiuns, para esta ou para a
jornada vindoura, pois é o estágio de ajustes finais, que permitiram o exercício do
mediunismo futuro (pois, por algum motivo não foram ajustados antes do reencarne).
Também, não é demérito a pessoa estar neste estado, pois ele está sendo ajustado para
uma tarefa importante., mas caberá àquela formação moral para que não haja a
"intromissão" da vaidade, orgulho e inveja. Sobre o mediunismo, com o passar do
tempo, muitos médiuns caem na vala comum da pseuda simbiose astral, devido à necessidade
de se auto-afirmarem e em muitos casos, a entidade já está em outras plagas, mas ele,
por saber os trejeitos, as representam.
Gostaria, para complementar que o
exercício mediúnico é importante e é muito sério, pois existem comprometimentos
astrais e espirituais. As vezes, muitos pensam que é chegar lá e "pá-puf". É
mais profundo. Fico preocupado quando vejo terreiros que funcionam com giras extremamente
longas (duas, três, seis, oito horas), sem intervalos. Os médiuns estão se
arrebentando... quando não estão representado, propriamente dito.
Quando no meio de uma atividade
mediúnica, inclusive consultas, as vezes os médiuns se sentem sozinho, a entidade foi...
aí ela volta... Para os menos experientes, uma dica: o fenômeno da incorporação é
cíclico, não é contínuo. De acordo com a vibratória e o estágio de desenvolvimento
do médium, para não provocar um estrago nos nossos corpos sutis, a entidade "se
liga" aos nossos centros nervosos e de tempos e tempos, desliga-se, justamente para
permitir um descanso. Assim, quando ouço sobre uma gira de seis horas, os intervalos
passam a ser mais freqüentes e o tempo de "repouso" maior. Ai, bom... ai todo
mundo sabe o que está acontecendo...
Com votos de
profunda paz nos seus pensamentos, irradiante alegria nos seus sentimentos e harmonia nas
suas ações, com prosperidade, força e minha benção.

THASHAMARA
O ETERNO APRENDIZ |