
Relação entre
Mestre e Discípulo
Babá, Babalawo, Babalorixá, Pai-de-Santo, Chefe de Terreiro, Coordenador e quantas mais,
para se para se definir uma relação?
Num dado momento da vida,
espontânea ou forçosamente, os seres sentem falta de algo, como se fosse um sinalizador
para o seu aprendizado, quando teorias e práticas já não satisfazem os seus anseios
conscientes ou inconscientes.
Tenho em mente, que o verdadeiro
Mestre Espiritual de cada um, está em seu interior, acompanhando, torcendo, ensinando,
protegendo, inspirando enfim, esforçando-se em conduzir-nos à novas expectativas e
perspectivas de vida, nesta e em outras jornadas.
Entretanto, num dado momento,
estamos com uma "cegueira espiritual", que não nos deixa enxergar determinados
princípios e valores, visto que estamos mais sensíveis às energias não positivas,
quais sejam: ira, leviandade, receio, soberba, egoísmo, arrebatamento e luxúria; que por
estarem mais acessíveis através da forma e que são mais facilmente percebidas pelo
nosso estado de instinto, nosso "estado animal". Apesar do nosso crescimento
através do conhecimento, aquilo que mais "toca a pele", realmente, é o que
mais move ou comove. Talvez, seja aquela característica de "São Tomé",
proporcionada pelas experiências que ferem e machucam, pois para se perceber e sentir os
aspectos mais sublimes, abstratos, que são sutis, só com o aprendizado da vida ou
melhor, de vidas...
Se o ser está num momento em que
tem dificuldade de perceber, interior e essencialmente, princípios e valores
incansavelmente procurados através dos tempos, para construção de uma comunidade
fraterna, bem como o desejo de compartilhar princípios construtivos, que poderão ser
traduzidos através dos atributos da fortaleza, do respeito, do entendimento, da
sabedoria, da justiça, do conselho e da pureza surge, para esse aprendizado de vida, o
personagem do Mestre, que num dado momento é representado por um ser, que trás
conhecimentos e experiências, vivenciadas nesta e em outras jornadas, para auxiliar
aquele que se torna seu Discípulo, a encontrar o seu verdadeiro Mestre, o Mestre
Interior.
A figura do Mestre, quando não
compreendida na sua essência, muitas vezes trás uma conotação disforme, especialmente
quando se acredita em que não se está naquela posição, se está em uma "posição
inferior". O mais impressionante é quando são formatados estereótipos que se
baseiam em uma relação de domínio e submissão, consciente ou inconsciente, onde se
empregam a manipulação, coerção e domínio.
Por sua vez, deve-se ter em mente,
que um Mestre, nas lides espirituais, não é um deus e muito menos um ser infalível.
Também, deve-se ter em mente, que:
- O Mestre, por estar na condição
de ser encarnado, tem limites.
- O Mestre pleno é mito.
- A presença do Mestre é sempre
relativa em função de momentos diferentes.
- O Mestre pode ser real, um
terceiro; ou aparente, o interior.
- O Mestre existe até o ponto em
que ele é reconhecido como tal.
- O Mestre não procura Discípulos.
Logo, "para cada rebanho, haverá sempre o melhor pastor"...
Devido a heterogeneidade dos seres,
a relação do Mestre com o seu Discípulo, é uma "via de mão dupla", pois se
existem vários Discípulos, existem conhecimentos, comportamentos, atitudes,
experiências e vivências diversas. Portanto, o Mestre inteligente, também "tira a
sua casquinha" de aprendizado.
"Pondo a mão na
cabeça"
Nas muitas Tradições, bem como no Movimento Umbandista, percebe-se a "filiação
espiritual", que poderá estar sendo construída através dos tempos ou atender em um
momento específico as vontades superiores, concretizando uma relação, mesmo que
efêmera, atendendo aos desígnios de Deus.
Quando surge a relação, Mestre e
Discípulo, crê-se no início de formação de uma egrégora de realidade, onde os seres
são estimulados a perceber o quê, o porquê, o como, o quando e o onde, que fazem parte
indissociável de consciências, de sentimentos e de ações. Mas, infelizmente, os seres
ficam mais atentos aos aspectos "mágicos", que na realidade são da forma, do
que aos aspectos não mágicos, de natureza superior, que realmente farão a diferença no
futuro. Assim, em função de cada Tradição, os ritos quando não percebidos como uma
perspectiva de abertura para o crescimento individual, representando um portal ou degrau,
tornam-se na realidade, um símbolo de domínio e submissão, que em muitos casos chegam
ao absurdo da relação "senhor e escravo", que por desinformação, muitos
acreditam ser imutável, até a mudança da vontade daquele que o fez.
"Por a mão na cabeça"
não encontrará ressonância se a "cabeça não for oferecida", pois para ambas
as partes, é um ato consciente, onde se pressupõe responsabilidades mútuas. E, por
assim representar, é natural que haja nos grupos afins ou seja, aquele que coordena um
grupo, "põe a mão na cabeça" e aquele que quer fazer parte do grupo,
"oferece a sua cabeça". Entretanto, deve ficar claro que os termos acima são
simbologias, pois existem várias formas de se proceder nesta relação, mais ou mesmos
dogmáticas, mais ou menos informais, mais ou menos ritualizadas e mais ou menos rápidas.
Há de se compreender que, a relação paternal ou filial, como queira, pressupõe
ensinamentos e trocas de conhecimentos, comportamentos e atitudes, visando o crescimento e
descoberta interior, sempre.
Então, deve ficar claro que um
pequeno ato, se não houver vontade de ambas as partes, não provoca a ligação, pois
como seres individualizados, exercitamos a vontade.
Em síntese, "por a mão na
cabeça", traduzindo a Relação Mestre e Discípulo, promove a uma
auto-descoberta.
Como Mestre para meus Discípulos e
como Discípulo para o meu Mestre, desejo que seus pensamentos, sentimentos e ações
sejam iluminados.
Com votos de
profunda paz nos seus pensamentos, irradiante alegria nos seus sentimentos e harmonia nas
suas ações, com prosperidade, força e minha benção.

THASHAMARA
O ETERNO APRENDIZ |