
As sete lágrimas
de Pai-Preto
Tenho visto a divulgação das Sete Lágrimas
de Pai-Preto. E, pelo fato da sua origem não estar sendo divulgada, achei por bem,
reproduzí-las aqui, com estas informações adicionais. Este texto é um resumo de uma
experiência de desdobramento de W.W. da Matta e Silva ( Mestre Yapacani) . O texto foi
copiado do Livro "Lições de Umbanda (e Quimbanda) na palavra de um Preto-Velho, 3a.
edição", que recomendo à todos lerem, independentemente de sua convicção
filo-religiosa, para entenderem o que é Umbanda e, principalmente, àqueles que estão
inseridos no Movimento Umbandista. Pessoalmente, creio que é/será de interesse para
aqueles que estão no início de jornada nesta Seara.
Thashamara
Introdução
Nestas páginas, estão cravadas as impressões vividas e sentidas por mim, diretamente,
de um humilde e leal amigo do astral - o Pai G....., a quem rendo minha eterna gratidão,
como seu veículo mediúnico desde a Infância...
Desse "Preto-Velho", colhi esse lamento e essa lição, sobre a natureza das
humanas criaturas que "giram" nos terreiros ou Tendas de Umbanda.
Isto foi há muitos anos... quando a experiência ainda não tinha encanecido minha alma
nesse mister...
Naturalmente, ele, ao proporcionar-me esse "passeio-astral" e ao falar assim
numa demonstração direta, quis que eu visse a coisa como ela era e é... pois eu tinha
ilusões e bastante ingenuidade ainda...
Assim, quero dedicar essas suas sete lágrimas, a meus Irmãos de Umbanda, aparelhos,
sinceros, para que, meditando nelas e vibrando na doce paz desses
"pretos-velhos", possam haurir forças e compreensão e sobretudo a
indispensável experiência, para que sejam, realmente, baluartes das verdades que eles
tanto ensinam... quando têm oportunidade...
W.W. da Matta e
Silva
AS SETE
LÁGRIMAS... DE PAI-PRETO
Foi uma noite estranha aquela noite queda; estranhas vibrações afins penetravam meu Ser
Mental e o faziam ansiado por algo, que pouco a pouco se fazia definir...
Era um quê desconhecido, mas sentia-o, como se estivesse em comunhão com minha alma e
externava a sensação de um silencioso pranto...
Quem do mundo Astral emocionava assim um pobre "eu"? Não o soube, até
adormecer.., e "sonhar"...
Vi meu "duplo" transportar-se, atraído por cânticos que falavam de Aruanda,
Estrela Guia e Zamby; eram as vozes da SENHORA DA LUZ-VELADA, dessa UMBANDA DE TODOS NOS
que chamavam seus filhos de fé...
E fui visitando Cabanas e Tendas, onde multidões desfilavam... Mas, surpreso ficava, com
aquela "visão" que em cada urna eu "via", invariavelmente, num canto,
pitando, um triste Pai-preto, chorava.
De seus "olhos" molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não
sei porque, contei-as... foram sete. Na incontida vontade de saber, aproximei-me e
Interroguei-o: fala Pai-preto, diz a teu filho, por que externas assim uma tão visível
dor?
E Ele, suave, respondeu: estás vendo essa multidão que entra e sai? As lágrimas
contadas, distribuídas estão dentro dela...
A primeira eu a dei a esses indiferentes que aqui vêm em busca de distração, na
curiosidade de ver, bisbilhotar, para saírem ironizando daquilo que suas mentes ofuscadas
não podem conceber.
Outra, a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um
"milagre" que os façam "alcançar" aquilo que seus próprios
merecimentos negam.
E mais outra foi para esses que crêem, porém, numa crença cega, escrava de seus
interesses estreitos. São os que vivem eternamente tratando de "casos"
nascentes uns após outro...
E outras mais que distribuí aos maus, aqueles que somente procuram a Umbanda em busca de
vingança, desejam sempre prejudicar a um seu semelhante - eles pensam que nós, os Guias,
somos veículos de suas mazelas, paixões, e temos obrigação de fazer o que pedem...
pobres almas, que das brumas ainda não saíram.
Assim vai lembrando bem, a quinta lágrima foi diretamente aos frios e calculistas - não
crêem, nem descrêem; sabem que existe uma força e procuram se beneficiar dela de
qualquer tona. Cuida-se deles, não conhecem a palavra gratidão, negarão amanhã até
que conheceram urna casa da Umbanda... Chegam suaves, têm o riso e o elogio à flor dos
lábios, são fáceis, muito fáceis; mas se olhares bem seus semblantes, verás escrito
em letras claras: creio na tua Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zamby, mas somente se
vencerem o "meu caso", ou me curarem "disso ou daquilo...
A sexta lágrima eu a dei aos fúteis que andam de Tenda em Tenda ido acreditam em nada,
buscam apenas aconchegos e conchavos; seus olhos revelam um interesse diferente, sei bem o
que eles buscam.
E a sétima, filho, notaste como foi grande e como deslizou pesada? Foi a ÚLTIMA
LÁGRIMA, aquela que "vive nos "olhos" de todos os Orixás; fiz
doação dessa, aos vaidosos, cheios de empáfia, para que lavem suas máscaras e todos
possam vê-los como realmente são... Cego., guias de cegos", andam se exibindo com a
Banda, tal e qual mariposas em torno da luz; essa mesma LUZ que eles não conseguem VER,
porque só visam a exteriorização de seus próprios egos".
"Olhai-os" bem, vede como suas fisionomias são turvas e desconfiadas;
observai-os quando falam "doutrinando"; suas vozes são ocas, dizem tudo de
"cor e salteado", numa linguagem sem calor, cantando loas aos nossos Guias e
Protetores, em conselhos e conceitos de caridade, essa mesma caridade que não fazem,
aferrados ao conforto da matéria e à gula do vil metal. Eles não têm convicção.
Assim, filho meu, foi para esses todos que viste cair, uma a uma, AS SETE LÁGRIMAS DE
PAI-PRETO! Então, com minha alma em pranto, tornei a perguntar: não tens mais nada a
dizer, Pai-Preto? E, daquela "forma velha", vi um véu caindo e num clarão
intenso que ofuscava tanto, ouvi mais uma vez...
Mando a luz da minha transfiguração para aqueles que esquecidos pensam que estão...
ELES FORMAM A MAIOR DESSAS MULTIDÕES"...
São os humildes, os simples; estão na Umbanda pela Umbanda, na confiança pela razão...
SÃO OS SEUS FILHOS DE FÉ.
São também os "aparelhos, trabalhadores, silenciosos, cujas ferramentas se
chamam DOM e FÉ, e cujos "salários" de cada noite... são pagos quase sempre
com urna só moeda, que traduz o seu valor numa única palavra - a INGRATIDÃO...
MESTRE
YAPACANI
Com votos de
profunda paz nos seus pensamentos, irradiante alegria nos seus sentimentos e harmonia nas
suas ações, com prosperidade, força e minha benção.

THASHAMARA
O ETERNO APRENDIZ |